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Esse artigo é uma adaptação autorizada de trechos do livro “Elul, Rosh Hashaná, Yom Kippur, Sucot e Yom Tov“, de autoria do Rabino Shimshon Bisker. A utilização deste material sem a autorização prévia do autor é proibida. Contudo, o artigo pode ser referenciado livremente.

Qual o significado do mês de Elul?

Nossos sábios contam que, não há muito tempo, quando ouviam na sinagoga o chazan anunciar o mês de Elul (no Shacharit de Shabat anterior ao Rosh Chodesh) as pessoas sentiam uma grande emoção e inclusive muitos choravam.

A chegada do mês de Elul significa que os  yamim noraim (dias temíveis) estão próximos e eles são:

  • Rosh HaShaná – O início do ano
  • Yom Kipur – O dia do perdão.

Esses são os dias do julgamento, quando todos seres humanos são julgados.

Que julgamento é esse? Por que não sentimos?

Mesmo quando alguém é convocado para um julgamento de um valor não tão elevado, em geral, fica tenso, nervoso e preocupado. Mas que será julgado em Rosh HaShaná? Mil dólares? 10 mil? 100 mil? Não! Muito mais! A nossa vida!

Nesses dias será decidido se a pessoa viverá no próximo ano ou se deixará de viver. Além disso, também todas as condições de vida que ela terá nesse próximo ano serão decididas. O início do julgamento é em Rosh HaShaná e o veredito final em Yom Kipur.

O que podemos fazer para sentir mais a relevância desses dias?

Os dias de Elul somente antecedem os dias do julgamento, ou será que existe alguma diferença essencial?

Antes de respondermos estas questões, trataremos de explicar o significado de Rosh HaShaná.

Rosh HaShaná é o início do ano, é o ano novo!

Diferente do que as pessoas distantes da Torá pensam, o ano novo não é uma comemoração social e frívola. Em geral, quando se escuta “ano novo” as pessoas associam ao reveillón, fogos de artifício, festa, bebida, comemoração, contagem regressiva e viagens. Porém, a Torá nos ensina algo bem diferente. 

Dois tipos de Julgamento

Como citamos anteriormente, Rosh HaShaná é um dia de julgamento. São dois tipos de julgamento: Geral e individual.

Nesse dia todas as ações da pessoa são lembradas e verificadas – tudo o que ela fez durante o ano que passou. Tanto os integrantes do Povo de Israel como todos os integrantes dos outros povos.

Assim está escrito na mishná de Rosh HaShaná (1, 2):

“Em quatro períodos o mundo é julgado. Em Rosh HaShaná todos os seres humanos passam diante Dele um por um (como as ovelhas que passam por uma passagem estreita para serem contadas).”

A partir do início de Elul temos um mês para nos preparar. Mas qual é a essência desse julgamento?

A Diferença entre o julgamento de Rosh Hashaná e os demais julgamentos

Existem diferentes tipos de julgamento. Por exemplo, quando a pessoa deixa este mundo ela é julgada. Todas as suas ações realizadas em vida lhe são apresentadas e confirmadas, como consta em várias fontes da Torá (entre elas, no Talmud, Tratado de Taanit 11a).

Entendemos a necessidade da pessoa ser julgada ao término da vida, pois no final das contas, ela deve ser julgada para saber o que retificar, para onde será levada e por qual processo deverá passar.

Outro tipo de julgamento que uma pessoa passa é quando ela dorme. A cada noite ela deve prestar as contas do que fez naquele dia que passou. Então será decidido se ela seguirá “dormindo” ou se despertará para um novo dia de vida.

Também haverá o ‘Grande Dia do Julgamento’, após a grande revelação final. Nesse dia, chamado pelos profetas ‘o dia temível’, as ações das pessoas serão julgadas para que a sua posição final e eterna seja definida.

Em todos esses casos vemos que o julgamento é feito após um período completo de tempo. Após o término da vida, ou do dia, ou do tempo da história do livre-arbítrio.

Contudo, em Rosh HaShaná acontece algo diferente. Somos julgados no início do ano!

O ano mal começou e já somos julgados?

Recebendo a nota antes da prova

Imaginem se o professor entrasse no primeiro dia de aula e anunciasse: “Prova Final!”. Ainda mais se ele decidisse fazer uma prova sobre os temas que já foram estudados no ano anterior?

Se o objetivo do julgamento de Rosh HaShaná fosse saber como nos saímos no ano anterior, por que seria no primeiro dia do ano que acabou de entrar? Não seria mais lógico se ele fosse realizado no último dia do ano que passou?

Portanto, fica constatado que o julgamento de Rosh HaShaná não é como os outros julgamentos mencionados acima, ou seja, não tem como objetivo um ‘acerto de contas’ referente ao que passou.

Então, qual é o objetivo do julgamento de Rosh HaShaná e por que é feito nos primeiros dias do ano?

O objetivo do julgamento de Rosh HaShaná é a “divisão de tarefas”. Em Rosh HáShaná é decidida a participação que cada um de nós receberá no projeto de Deus para o novo ano que está entrando. Como consequência dessa divisão de tarefas vem o julgamento. Pois, estabelecer a função propícia para cada pessoa requer uma análise de como ela utilizou de seu potencial relativo ao ano que passou. Isto é, Deus nos deu vida, força, sustento, posição, influência e dinheiro. O que fizemos com tudo isso?

Agora, isso será analisado, para que a partir daí, seja estabelecida a nossa função no próximo ano. Esse é o julgamento de Rosh HaShaná.

Imaginem em uma empresa onde o seu diretor colocou confiança em alguém para determinada função. Após uma análise de como essa pessoa utilizou dos meios que lhe foram proporcionados para o cumprimento dessa função ela será rebaixada, promovida ou até mesmo retirada da empresa.

Em nosso caso, em relação ao julgamento de Rosh HaShaná, ser “retirado da empresa” não necessariamente significa que ela falecerá, e sim, que não participará mais do projeto da criação de forma ativa, com uma função principal. Ou seja, ao invés de ter um papel principal ela atuará como figurante ou como parte de cenário.

Vontade e pré-disposição

Essav nasceu com a força de primogênito, ele tinha o potencial de receber e transmitir a Torá para o mundo, porém não estava disposto a submeter as suas  vontades diante a Vontade de Deus, preferiu seguir os seus instintos naturais e, assim, deixou de lado a sua participação como ator principal da criação passando a ser parte do cenário. Esse cargo foi passado para Yakov, que demonstrou a sua vontade e pré-disposição para assumi-lo, recebendo assim o papel principal da criação e a recompensa eterna para ele e para a sua descendência.

Palavras Finais

Por isso é muito importante a pessoa entrar no Mês de Elul e em Rosh HaShaná com a pré-disposição de participar do projeto eterno do Eterno. Justo no dia em que Ele distribui as funções para esse novo período da história, provavelmente, aquele que quer receber uma boa função e chega com essa abordagem nesse dia, receberá!