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Nesse artigo, tento humildemente passar um pouco do conhecimento que me foi entregue por rabinos, amigos e livros. No entanto, a mística judaica, a Torá e a cabalá são infinitamente mais profundos e, conforme dizemos por aqui: “é necessário estudo”.

O que é mística judaica?

Bem, antes de falar sobre misticismo, é prudente entender o seu significado e um bom lugar para começar é no dicionário.

Misticismo: Estudo sobre assuntos divinos ou espirituais. Também pode ser usado para identificar ou categorizar algo de origem incompreensível ou misteriosa.

Conforme o próprio significado da palavra, o misticismo é uma forma de conexão com o Criador. Por isso, a mística tem tudo a ver com judaísmo. Avraham, que é considerado o pai do judaísmo e de quem descendem os judeus, conhecia os segredos da criação.

A mística é do bem ou do mal?

Todos nós sabemos que até mesmo a menor partícula da criação pode ser usada para o bem ou para o mal. A descoberta e utilização do átomo, por exemplo, levou a humanidade à avanços tecnológicos importantes, mas também foi usada para a criação da bomba atômica. Então, a única forma de dizer se a prática do misticismo é boa (ou não) é a partir do conhecimento profundo, além de um bom aconselhamento rabínico.

Por vezes, as tradições judaicas podem ser vistas como “rituais místicos estranhos”. Mas esses assuntos são levados muito à sério pelos judeus. A Cabalá, por exemplo, que revela poderosos segredos da criação, pode ser perigosa se aplicada sem estudo da Torá. Por isso, existem leis rigorosas que devem ser seguidas para evitar conectar-se com energias não-boas.

Cabala ou Cabalá?

Cabalá (sim, com acento), em Hebraico, significa “recebimento”. É um conhecimento recebido desde a entrega da Torá no Monte Sinai. A Cabalá é o entendimento de como funciona a criação do mundo físico e do mundo espiritual. Assim, ela é um entendimento mais profundo das conexões físicas e espirituais da Providência Divina. No Talmud, a expressão Cabalá é usada para reforçar interpretações tradicionais das escrituras e para justificar certos costumes e práticas religiosas. Já na Idade Média, o termo Cabalá significa fé e confiança na tradição e nas escrituras.

A Cabalá, em sua essência, é um ensinamento oral, que se transmite de forma viva. Qualquer escrita mais rígida é rejeitada. A sua base é a Torá escrita, a Palavra de Deus.

Em seu livro “A Cabalá”, Alexandre Safran afirma que os cabalistas visam anonimidade e antes de escrever suas obras pensam em como evitar a fama ligada à elas. Afirma ainda que a Cabalá pode ser considerada tanto uma ciência da vida de Israel como uma ciência da vida do cosmo.

A Cabalá então dá alma à matéria, permeando partículas e células, do infinito ao infinito.

Cabalá escrita?

O Zohar, trabalho fundamental da literatura cabalista compilado por Rabbi Shimon Bar Yochai ajudou a revelar os conhecimentos ocultos entregues a Moisés no Sinai. Os segredos ocultos de Deus que nos foram entregues na forma da Cabalá tem como principal objetivo ajudar a humanidade. Porém o uso desses segredos deve ser de forma responsável e deve ter uma base forte, construída sobre o estudo da Torá.

Perigos ocultos

“Quatro pessoas penetraram nos níveis profundos da Cabalá: um deles morreu (por ter tentado explorar lugares que estavam além de seu nível de alcance), outro ficou debilitado (com a sua consciência afetada), o terceiro se voltou contra os preceitos estabelecidos pelo Criador. Somente o quarto, o Sábio Rabi Akiva, saiu ileso” (Talmud Bavli – Massechet Chaguigá 14b).

Palavras Finais

Espero ter aumentado o seu interesse pelo estudo da Torá e me coloco à disposição para responder, com a ajuda de Deus, dúvidas sobre esse assunto. Fique à vontade para perguntar abaixo, na seção de comentários.